protesto (I)

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Já aqui expressei, alguma vez, a minha desconsideração pela classe jornalística?
Em particular pela parte da classe que não sabe distinguir o essencial do acessório. Que corta a meio sem qualquer problema, aquilo que se diz, descontextualizando todo o discurso e acabando por alterar o seu sentido?

Pois fica expressa hoje.

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um dia havemos de lá chegar.

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(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas...
(...)


in O Sentimento dum Ocidental 
Cesário Verde

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paz

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Divido-me entre um passado e um futuro. 
Incertos.
Igualmente distantes. 
O presente aperta-me por dentro. 

Seria melhor não pensar. 
Não sentir.
Ter tempo.
E deixar-me ficar
longe de tudo
até ser futuro.
Já presente.




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outra margem de ti.

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És muito mais do que aquilo que mostras. Muito melhor.
E um dia vais entender que podes ser também essa parte.
Sem medo de mostrar emoção, nem que o tapete te fuja dos pés.
A outra margem de ti.

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Voo Nocturno

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Procurei-te pela sala toda para ter a certeza que não te via.
A ti e à tua felicidade, que fazes questão de me esfregar na cara e que ainda me magoa tanto.
Depois procurei o meu caminho. O meu futuro. Mas também não os encontrei.
Ainda.

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second serve, please...

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No ténis existe uma regra que permite o segundo serviço. Para quando falhamos o primeiro.

A segunda oportunidade que o arbitro nos concede para darmos a volta ao jogo e mostrarmos que somos melhores jogadores do que o que o primeiro serviço mostrou.

Pode ser a derradeira oportunidade antes do fim do jogo. A bola de jogo. Quando ainda podemos mostrar as nossas qualidades.

Bem sei que a vida não é um jogo de ténis. E que nem sempre nos permitem um segundo serviço, mas por outro lado também não tem de ter um vencedor. Quero crer que quase tudo se pode resolver no jogo da vida...
...tudo depende da vontade dos jogadores.

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20 anos.

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Paço de Arcos. 1983

Fez hoje 20 anos que me deixou. Que nos deixou.
Foi nas últimas férias de verão que fizessemos em S.Martinho, nunca me esqueço. No dia a seguir aos anos da minha mãe, não dei pela ausência dos meus pais lá em casa. Alguém me distraiu com alguma coisa. Ninguém me disse nada até que alguns dias mais tarde perguntei por si, já com desconfiança na resposta. Lembro-me de chorar sozinha, durante horas. Ainda hoje choro. Como não choro por mais ninguém. Gostava de me ter despedido de si.
Acho que ninguém entende este meu amor. Que é e será sempre a pessoa mais importante na minha vida. A mais bonita. E aquela que me conheceu melhor, até hoje.
A Avó foi a minha melhor amiga nos meus primeiros 7 anos de vida. Até hoje.

Não há dia que não me lembre de si.
Quando o aperto cá dentro é grande é consigo que falo.
É a si que peço força e coragem.
Foi a Avó que me fez melhor pessoa e me ensinou a acreditar que todos temos um lado bom, só que às vezes está mais escondido ou é preciso procurar mais fundo. E que nunca devemos desistir de ninguém.

Tenho saudades suas.
Todos os dias.
E acredito que, onde quer que esteja, continue a tomar conta de mim.


P.S.- não é a nossa melhor fotografia... mas é a que mais gosto. Porque o seu colo era o melhor de tudo.

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Desculpa.

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Não se escolhe de quem se gosta.
Normalmente gostamos do pior. Daquele que nos trata pior. Que não nos liga.
Parece que é a ruindade que nos atrai... ou a adrenalina da conquista do mais dificil.

Quem me dera ter te escolhido.
És amigo desde o primeiro dia. Eu sei.
E tu mereces alguém que te faça feliz. Mereces uma rapariga que goste de ti. Daquela maneira. Com o coração todo.

Tentei. E não é de agora. Tentei antes, tentei agora outra vez, mas é mais forte do que eu.
Não consigo gostar de ti. Assim. Daquela maneira. E acredita que se pudesse escolher, sei que me farias feliz.

Hás-de ser sempre amigo, farei tudo por isso.


Boas férias!

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Terra (a Terra)

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Paço de Arcos . Outubro . 2003


Sou terra. Não sou água. Nem ar. Às vezes, sou fogo.
Mas sim, decididamente sou terra.
terra-a-terra.
Às vezes chego a ser demais. Gostava de conseguir sonhar mais e seguir o sonho... mas não, sou terra.

Gosto de ter os pés no chão. E de saber os meus passos de acordo com o tamanho das minhas pernas.
Sou terra, mas na sombra, a observar os que estão ao sol.
E ser terra fez de mim realista. Pessimista, até.
Fez-me acreditar nas pessoas e nos seus sentimentos. E nunca na relatividade das palavras. Nem que as palavras são só palavras. Que num momento fazem todo o sentido e dois momentos a seguir deixam de fazer. Para a terra palavra é palavra.
E sou uma terra com sentimentos. Com valores. Com um arquivo grande: guardo tudo.

A minha terra fez-me ser inocente muitas vezes. Ingénua. Fez-me acreditar demais nos outros. Nas suas certezas. Nas suas palavras. E depois construir muralhas em volta e proteger-me.

Fez-me olhar. Observar tudo. Muitas vezes. Porque tudo muda a cada instante. Apaixonar-me pelos olhares dos outros. Conhecer as diferenças e aceitá-las (às vezes com revolta). Mas procurar sempre soluções. Conhecer o chão que piso. E viver um dia de cada vez.

Devo ser, para a maior parte dos outros, demasiado óbvia.
Provavelmente, desinteressante e banal.
Porém honesta.
E durmo de consciência tranquila pela verdade que sou.

daqui terra, escuto.

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Caracois do Tempo

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lisboa . 2005

Era Novembro. Sexta feira. 11 da manhã. Cruzámo-nos num dos muitos corredores da faculdade. Ainda sei em qual.
O teu olhar prendeu-me. Sempre o olhar. Nessa e nas outras vezes todas em que nos cruzámos. E reparei em ti.

Fiz o impensável. Corri atrás, como acho que nunca mais vou correr na vida por ninguém.

Dizem que o tempo cura tudo e ajuda a esquecer.
Já não doi, mas mesmo depois de 8 anos (talvez mais), ainda tenho tudo tão presente como se tivesse sido na semana passada.

O amanhecer e olhar a cidade a acordar.
Os teus caracois.
O teu cheiro.
O teu olhar.
A pessoa que via em ti e que não eras.

O meu tempo é muito lento. Lento demais.
Nunca mais te vi. Essa foi a parte boa. Ajudou a arrumar.
Mas foi mais uma vez um cheiro (o teu), que me fez pensar-te.

Mas como em tudo há uma parte boa: por tua causa fiz duas amigas. Para a vida.
Obrigada.

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Para a Guida: porque disfarço sempre a emoção.

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A tocar o céu está este lugar onde o tempo é medido noutra escala e a luz é diferente do resto do mundo. Onde não se explica o que se sente, nem porque se sente. Sente-se. É único.
Como tu.
E como não sei agradecer a força enorme que me tens dado para continuar... nem te posso dar agora um abraço bem fechado, deixo-te aqui o que os meus olhos viram da última vez que estive no teu paraíso colado às estrelas.

Um abraço meu.


15 . Junho . 2007



15 . Junho . 2007



15 . Junho . 2007



15 . Junho . 2007

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E para o Zé.

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que conheço, sem conhecer.


15 . Junho . 2007

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E hoje...

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um cheiro antigo, numa outra pele, desarmou-me.

Trouxe emoções à tona.
E deixou-me o aperto cá dentro. Aquele.

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Verdes Anos

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Nunca tive melhores amigos, nem amigas quando andava na escola. nem nunca fui melhor amiga de ninguém... Mas tive e tenhos bons amigos ainda dessa altura.
Os do infantário que passaram para a primária. Da escola primária para o ciclo. E do ciclo para o Liceu. Fizemos grande parte do caminho juntos.

Lembro-me muitas vezes da Mafalda C.. Conhecemo-nos desde os 3 anos, por aí...
A Mafalda era grande. Enorme. Fazia natação de competição. Ao meu lado parecia minha mãe. Na escola primária tinhamos direito a uma mesa para cada uma lá a trás ao pé da lareira porque era onde ficavam os melhores alunos.

A Mafalda, no ciclo, era apaixonada pelo kurt cobain e pelo eddie vedder. E pelo vizinho do predio da frente que era 2 aos mais velho e a quem chamavamos "o Amarelo", porque era loiro. E até a professora de Historia sabia e brincava com o amarelo. Adorava a MTV. A primeira vez que vi tv satelite acho que foi em casa dela.

Nunca fui muito de desabafar com ninguém, mas ela conhecia bem o meu (mau) génio. E aturou-me alguns dos meus amuos. Tinha os pais, que como os meus eram professores, e ia sempre de férias no verão para a ilha do Farol, no Algarve.

As ciências e as artes separaram-nos de escola e de área, mas acabamos por nos reecontrar na mesma faculdade 3 anos mais tarde. A Mafalda queria ser médica, mas a sua média, apesar de alta deixou-a, por muito pouco, à porta da faculdade de Medicina. Acabou por se decidir por engenharia Quimica no técnico e por mais incrível que possa parecer devemo-nos ter cruzado umas 4 vezes apenas, em 6 anos.

Trocamos sempre mensagens de telemovel a 13 de Abril e a 14 de Agosto, mas não faço ideia do que será feito dela...

Cruzamo-nos com tanta gente, na rua, vezes sem conta. Vamos encontrando por acaso este ou aquele mas dela já não sei nada há uns bons 6 anos...

Ah! Era do Sporting e também gostava do Juskoviak na altura (claro... porque era loiro!)

Hoje foi dia de memórias, dos verdes anos. De saudades.

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eu sou assim.

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sou diferente de ti em muitas coisas. E de ti. E de ti também.
E sempre achei que é nessa diferença que está a beleza de cada um de nós.
A nossa essência.

eu sou assim: não aguento o sol. Tenho a tensão baixa...

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... All this time.

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Há muito que não ouvia este disco.
E sempre que o ouço rendo-me a este senhor.
É a voz.
O charme.
A interpretação.
Neste disco em especial.
Naquele cenário da Toscania.
Enfim...

O meu Sean Connery. :D

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é assim que ando...

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Alfandega do Porto . 14 Junho . 2007

de trabalho...

hoje já passei os olhos provalvemente por mais de 1000 imagens.
elas são de música, de cadeiras, de estúdio, de casas lindas, de peças de design, de restaurantes...

enfim tanta coisa...

amanhã espera-me um dia igual... mas é positivo!
Por hoje já chega. Começo a ver tudo desfocado... deve querer dizer que tenho de parar.

A parte menos positiva é ver a luz do dia apenas pela janela, mas vale o sacrificio. Gosto disto!

Até amanhã!

P.S.- mais uma vez a cidade do Porto surpreendeu-me!

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The Story

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Estremoz . 11 Maio . 2002


Brandi Carlile - The Story


saudades.

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Chove lá fora...

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... e cá dentro

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Há dias...

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... em de deviamos poder escolher em que botão carregar:

Se no de acordar e viver o dia.
Se no de continuar a dormir até ao próximo dia bom.

Boa noite*

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